Vida mais ativa será legado do ano olímpico



10 de março de 2016
por: Marcela Leone

cristiano-parente

*Por Cristiano Parente

Ao se falar em legado deixado na realiza√ß√£o de uma Copa do Mundo, como foi em 2014, ou de uma Olimp√≠ada, como a que estamos prestes a vivenciar, logo se pensa em obras e melhorias de infraestrutura constru√≠das pelas regi√Ķes por onde passam as competi√ß√Ķes. O que pouco se discute, entretanto, √© a amplitude de benef√≠cio que eventos esportivos dessa magnitude podem trazer ao pa√≠s, inclusive no que diz respeito √† educa√ß√£o e capacita√ß√£o profissional.

O esporte, enquanto institui√ß√£o, apresenta diversas faces, que muitas vezes s√£o interpretadas de maneira errada, inclusive por profissionais da √°rea. H√° a face do neg√≥cio, da profiss√£o – ou melhor, profiss√Ķes -, existe a face do show e do entretenimento, bem como as faces da ci√™ncia e pesquisa, da m√≠dia e da pol√≠tica. Ter claro o que o esporte representa em cada uma dessas faces √© um passo determinante para poder realmente aproveitar algum poss√≠vel legado ol√≠mpico de maneira inteligente e efetiva.

Belo e plasticamente sedutor, o esporte √© encantador. √Č instigante em termos de desafio de performance e de busca de limites nas execu√ß√Ķes surpreendentes de profissionais ‚Äėiluminados‚Äô geneticamente.

Com os Jogos Olímpicos, presenciaremos um espetáculo de profissionais que aliam à escolha de uma modalidade o encaixe perfeito de sua qualidade genética. Claro, soma-se a isso muito preparo e orientação, além de imensa vontade de se dedicar para estar ali, tentando se superar o tempo todo. Isso é o esporte.

Então, surge a pergunta: de seu ciclo de relacionamentos, quantos conhece com a somatória de todos esses fatores essenciais para a busca de um improvável sucesso dentro do esporte?

Possivelmente, a resposta ser√° nenhum ou raros conhecidos. E s√£o t√£o raras essas pessoas que, em geral, os atletas de sucesso, que efetivamente se sobressaem no esporte, viram celebridades. E com todo o m√©rito. Muitos se destacam √†s custas de les√Ķes, dores, cirurgias e outras dificuldades, alguns at√© convivendo com o medo diante de amea√ßas de torcedores mais agressivos.

Todos esses fatos mostram que imaginar que o esporte é algo para todas as pessoas, enquanto face da profissão, é utópico. Ele é para poucos. Nesse sentido, é preciso desfazer a grande confusão que se faz ao misturar o esporte com a atividade física, o exercício e o jogo. A transferência do sonho esportivo/olímpico de vitória e glória para a vida de crianças carentes ou para pessoas comuns traz ao esporte uma responsabilidade social cujo qual ele não é capaz de lidar.

A atividade f√≠sica regular, por sua vez, dentro de um jogo ou modalidade, sem intuito de competi√ß√£o ou de profissionalismo, com uma grande carga de ludicidade e coopera√ß√£o, √© que pode ter um papel social importante. √Č justamente a√≠ que entra a miss√£o do profissional de educa√ß√£o f√≠sica, desde que executada de forma inclusiva.

√Č um erro aproximar pessoas da atividade f√≠sica por meio apenas do esporte. Hoje, institui√ß√Ķes de ensino e seus profissionais de educa√ß√£o f√≠sica valorizam os mais habilidosos, com potencial, e acabam por esquecer os outros alunos, com menos habilidade e que comp√Ķem a maioria da sala. Isso acontece desde os primeiros anos escolares.

Competi√ß√£o e esporte s√£o excludentes. O legado ol√≠mpico deve vir com a estimula√ß√£o consciente em cada jovem. As escolas, dentro das aulas de Educa√ß√£o F√≠sica curricular, n√£o devem pensar em situa√ß√Ķes competitivas onde os bons em termos de habilidade e de gen√©tica possam se sobressair sobre os menos avantajados. Essa diferen√ßa t√©cnica esportiva aparece por mil fatores, que v√£o muito al√©m do que a disciplina √© capaz de ensinar.

Fazer o jovem experimentar dezenas de movimentos e modalidades, de modo que entenda e tente descobrir qual gosta mais, compreender o que √© necess√°rio fazer para que se consiga melhorar uma habilidade que goste e quando quiser se desenvolver de maneira inteligente, poder pratic√°-la sem pensar em compara√ß√£o com o melhor ou com o pior, mas faz√™-la com prazer, em situa√ß√Ķes de coopera√ß√£o, de maneira regular, √© essencial para que o grande evento esportivo deixe um grande legado para os nossos pequenos. E isso s√≥ acontecer√° com a transforma√ß√£o, com a atualiza√ß√£o dos profissionais de educa√ß√£o f√≠sica, bem como com a mudan√ßa na forma de atua√ß√£o.

Um passo importante para tal mudan√ßa ser√° dado no dia 12 de mar√ßo, em S√£o Paulo, com a realiza√ß√£o do ‚ÄúTop Of The Rock‚ÄĚ, um evento que reunir√° os principais palestrantes na √°rea de sa√ļde e de atividades f√≠sicas do pa√≠s para debater o futuro e as novidades que cercam a profiss√£o de educador f√≠sico.

O objetivo √© reunir estudantes e profissionais da √°rea para uma experi√™ncia de aprendizagem din√Ęmica acerca do que h√° de mais novo em termos de ci√™ncia aplicada √† atua√ß√£o profissional. O momento √© prop√≠cio, aproveitando-se os holofotes sob o esporte com a Olimp√≠ada do Rio de Janeiro.

√Č preciso mudar de vez a cara da educa√ß√£o f√≠sica no pa√≠s. √Č necess√°rio dar mais qualidade, ferramenta e conhecimento para o profissional que atua nesse segmento, para que ele saia da in√©rcia e retome a vontade de evolu√ß√£o na profiss√£o. Um educador f√≠sico bem preparado e motivado certamente se transforma em exemplo e incentivo para a sociedade como um todo se mover mais e buscar uma vida mais saud√°vel.

(*) Cristiano Parente √© professor e coach de educa√ß√£o f√≠sica, eleito em 2014 o melhor personal trainer do mundo em concurso internacional promovido pela Life Fitness. √Č CEO da Koatch Academia, do World Top Trainers Certification, primeira certifica√ß√£o mundial para a atividade de educador f√≠sico, e organizador do evento ‚ÄėTop Of The Rock‚Äô.

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