Nova Friburgo: de rota do café à capital da moda íntima do RJ



17 de maio de 2017
por: Marcela Leone
Fevest, a feira de moda íntima, movimenta milhões e evidencia a importância do setor na cidade (Foto: Pedro Bessa / Divulgação)

Fevest, a feira de moda íntima, movimenta milhões e evidencia a importância do setor na cidade (Foto: Pedro Bessa / Divulgação)

Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, comemorou 199 anos nesta terça-feira (16). O município foi fundado em 1818 para ser uma colônia suíça mas, segundo a historiadora Janaína Botelho, acabou se desenvolvendo por ser a rota de passagem do café que era produzido em Cantagalo. Atualmente, a cidade é considerada a capital da moda íntima do Estado do Rio de Janeiro.

Do ponto de vista econômico, Friburgo tem uma longa história com a indústria têxtil e mesmo em meio às crises econômicas que o país enfrentou em diferentes épocas, inclusive no ano passado, conseguiu se reinventar.

Segundo Marcelo Porto, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo (SindVest), o setor contratou mais do que demitiu no primeiro trimestre de 2017. De acordo com ele, a indústria da moda íntima emprega de maneira formal e informal cerca de 30 mil pessoas.

A história da indústria têxtil tem mais de 100 anos, conforme explicou Janaína. A primeira indústria, segundo ela, foi fundada em 1911 por um imigrante italiano, que trabalhava com acabamento de roupas e produção de véus. Já em 1940 começam a surgir as metalúrgicas e o auge industrial acontece em 1950.

“A moda íntima ganha força já em 1990 em um período que houve um declínio econômico em todo o país e muitas indústrias de grande porte faliram. Com isso, os desempregados que tinham capacidade técnica começaram a abrir suas próprias confecções. Eles já sabiam produzir materiais, como calcinhas e sutiãs. Então com pequenas máquinas deram início a produção”, contou. Para Janaína, o investimento só obteve sucesso porque os trabalhadores investiram naquilo que sabiam fazer.

Marcelo, do Sindvest, conta que mesmo com a crise econômica o saldo de empregos continua crescendo, assim como o número de empresas. Segundo ele, 1.400 indústrias produzem moda íntima, fitness, linha praia e noite em Nova Friburgo, atualmente. Além de vender para sacoleiros, varejistas e lojas de departamento, o polo de moda íntima também trabalha com exportação.

Segundo Marcelo, o setor passou por muitas mudanças com o avanço da tecnologia e também precisou fortalecer o produto para concorrer com as peças asiáticas, que balançaram o setor no fim da década de 1990.

“Nós só conseguimos superar os chineses porque trabalhamos com um preço justo, o design da mulher brasileira e investimos na identidade do produto”, afirmou.

Para o presidente do SindVest, a moda íntima que é feita hoje é diferente da que era produzida uma década atrás.

“A tecnologia mudou totalmente, o maquinário é diferente, tem um nível maior de produtividade e requer uma mão de obra ainda mais qualificada”, disse ele, acrescentando que foi preciso investir na identidade do produto, que tem a cara da mulher brasileira para não perder espaço para o que é produzido na China.

Ele lembra ainda que anualmente a cidade promove a Fevest, uma feira de negócios que atrai investidores do país inteiro. Para Marcelo, o evento, que oferece palestras e workshops, é muito importante para fortalecer o relacionamento entre produtores, fornecedores e clientes.

“É uma oportunidade para entender o que está acontecendo e as tendências mercadológicas”, disse.

 A origem de Nova Friburgo, a Suíça brasileira
Moradores de Nova Friburgo acompanham obras de uma das primeiras fábricas têxteis (Foto: Arquivo | Janaína Botelho)

Moradores de Nova Friburgo acompanham obras de uma das primeiras fábricas têxteis (Foto: Arquivo | Janaína Botelho)

Janaína Botelho lembra que Nova Friburgo foi fundada em 1818 para ser uma colônia de suíços. Na época, foi retirada uma parte do território de Cantagalo, que já começava a dar os primeiros passos na plantação de café. Já em 1824, ela disse que chegou um grupo de colonos alemães que deram mais vida à região.

“Depois Friburgo deixou de ser uma cidade de administração colonial e a Câmara Municipal tomou conta. O desenvolvimento da cidade foi acontecendo, principalmente, porque a região virou local de passagem das mulas que carregavam o café que era colhido em Cantagalo. Aquela era uma das rotas mais importantes e desenvolveu o comércio local”.

Segundo Janaína, o clima frio e seco também era um atrativo em meados do século 19. Ela contou que muitas pessoas iam para a cidade para curar doenças, como a tuberculose, e fugindo de surtos, como o da febre amarela.

Atualmente, ela destaca que a economia de Nova Friburgo é voltada para a moda íntima e também para as grandes metalúrgicas, além da cidade ser a segunda maior produtora de flores do Brasil. Em uma menor escala também é direcionada à agricultura.

Fonte: G1 | Fotos: reprodução 

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