Indústria de lingerie cearense se ajusta, vende mais e exporta



7 de novembro de 2016
por: Marcela Leone

Investimentos em otimização de processos, tecnologia e marketing ajudaram empresa a crescer

Segundo o diretor-presidente da Liebe, Cairo Benevides, a empresa produz 1,8 milhão de peças/ano. Deste total, 10% são dedicados ao mercado externo.

Segundo o diretor-presidente da Liebe, Cairo Benevides, a empresa produz 1,8 milhão de peças/ano. Deste total, 10% são dedicados ao mercado externo.

* por Carol Kossling – Repórter

Diferentemente de outros segmentos do setor têxtil e de confecções que sentiram diretamente os efeitos da crise política e econômica no País, o mercado de lingerie, especialmente do Ceará, tem mantendo a estabilidade e em muitos casos ate registrado crescimento. Tudo isso pautado em otimização de processos internos, investimento em tecnologia, abertura de novas lojas e novos mercados, o que inclui a exportação.

Atualmente produzindo 1,8 milhão de peças por ano, a Liebe, localizada em Fortaleza, destina 10% do que fabrica para o mercado externo, sendo as principais praças América Latina, EUA e Europa. Segundo o diretor-presidente da empresa, Cairo Benevides, o plano para 2017 é elevar esse percentual. “Terei que investir em escritório nestes países e participar de feiras”, prevê.

No 1º semestre de 2016, a Lieve cresceu 15%. A meta era 30%, mas o diretor-presidente considera, pelo atual momento, que o resultado foi bom. “Estou avaliando há um ano e meio que o cliente está com foco em produtos mais comerciais e com padrão de qualidade, por isso otimizei processos. Coloquei limitadores de tempo de produção e faixas de preços”, diz.

Novos mercados

Na visão de Benevides muitas empresas estão recuando e a Liebe quer abrir novos mercados e novos clientes. “Tivemos empresas de todos os portes fechando. Quem tiver produção, qualidade e preço consegue entrar. Isso também está nos ajudando no crescimento. Um exemplo é a criação da linha Comfort Plus, mesmo neste momento de crise, para o nicho de tamanhos maiores. Já lançamos e saiu vendendo. não tínhamos este público. Vamos ficar para crescer neste mercado”, comenta. Na nova tabela de varejo, a lingerie básica vai de R$ 35 a R$ 50.

Benevides notou que esta faixa tem apresentado crescimento de vendas. Já a linha intermediária, com vantagens tecnológicas e atributos de shapewear, vai de R$ 50 a R$ 70. As peças com design mais elaborado, lingerie tipo joia, ficam entre R$ 50 e R$ 80. As calcinhas básicas vão de R$ 15 a R$ 35. “Meu ticket médio não caiu, continua R$ 42 no mercado nacional”, conta.

Para fechar o ano, Benevides espera crescimento anual médio entre 20% e 25%. “O segundo semestre é mais forte e representa 59% do faturamento da empresa. Em janeiro as lojas não comprar pois é salão e só adquirem novos produtos após o carnaval”, revela.

Investimentos

O diretor-presidente explana que é normal quando se vê uma crise pensar em fazer cortes no quadro da empresa, mas ele optou em reestruturar, cortar produtos que não tinham mercado, em investir em maquinário de alta tecnologia para fabricar mais rápido e em sistema de produção. “Aproveitei para trocar todas as máquinas para eletrônicas, pois elas consomem menos energia, fazem menos barulho e menos calor”, descreve. Além disso, investiu em marketing, em eventos e num novo processo industrial. Foram aplicados cerca de R$ 500 mil este ano.

A marca vende para todo o Brasil e está presente em cerca 3.000 pontos. Entre os estados que lideram está São Paulo, em primeiro, Minas Gerais, em segundo, e Ceará, em terceiro. Por aqui, a empresa tem cinco lojas próprias na Capital e um outlet na Rua Monsenhor Tabosa.

“Vimos uma oportunidade nesta loja jia que as vendas tinham caído entre 40% e 50% e resolvemos direcionar o ponto para outlet, que já era uma necessidade da empresa”, comenta. A loja promocional começou a operar em maio e já recuperou o padrão de venda e em junho registrou crescimento de 20%.

Fonte: Diário do Nordeste | Foto: reprodução

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