Hope celebra 50 anos de knowhow em moda íntima



24 de maio de 2016
por: Marcela Leone

Nissim Hara fundou a Hope em 1966, exatamente 50 anos atrás. O imigrante libanês perdeu o pai aos 12 anos e passou por alguns países para tentar a vida. Um deles foi o Estados Unidos, mais precisamente a cidade de Nova York, onde tinha um tio habitando e que pediu que Hara fosse passar duas semanas no Brasil para resolver uns negócios imobiliários.

Nissim Hara na porta da primeira fábrica da Hope, no Brás

Nissim Hara na porta da primeira fábrica da Hope, no Brás

Hara, porém, acabou gostando do país e ficando. Foi no convite de um amigo, que fabricava calcinhas no bairro do Brás, em São Paulo, que o empresário enxergou a oportunidade de criar uma nova marca, hoje uma das mais conhecidas em seu segmento. “O amigo pediu ajuda, pois não estava dando conta de produzir calcinhas. Foi então que meu pai abriu uma confecção no Brás, em 1966, que virou a Hope. Era uma portinha, que ele ficou uns 6,7 anos, depois ampliou para uma casa ao lado e ficou no total uns 10,12 anos”, afirma Sandra Chayo, atual diretora de marketing da empresa.

Um dos pontos de vendas da marca

Um dos pontos de vendas da marca

Na mesma época, os irmãos Hara também vieram para o Brasil e o negócio começou ganhar outro fôlego. A pequena fábrica no Brás foi substituída por uma novo espaço em São Miguel Paulista, já com 20 mil metros de terreno. Também era hora de fortalecer o marketing da Hope. “Ele sempre foi muito fanático por marketing…Está muito no DNA dele e da empresa, essa coisa de inovação no MKT e em produto também”.

hope4

Nova fábrica da Hope em São Miguel Paulista

O primeiro merchandising em novela virou realidade. A publicidade aconteceu no sucesso da TV Globo “Roque Santeiro”. A Hope também foi responsável pelo primeiro busdoor no país. “Ele foi na prefeitura, aprovar a lei, porque até então não existia esse tipo de mídia”, ressaltou Sandra.

hope6

A inspiração das campanhas vinha da Playboy — com mesmos fotógrafos e modelos da revista, porém usando underwear. “A história do merchandising em Roque Santeiro aconteceu em 1985. A Globo vende como o primeiro merchandising em novela que eles fizeram”. Hara exigiu que a publicidade fosse parte do enredo da novela. Em um dos principais cenários, uma praça, havia um outdoor da Hope e um dos personagens, Professor Astromar, via à noite essa mesma mulher da propaganda.  “Essa ação deu um boom na marca. Foi um dos maiores degraus e a marca foi ficando cada vez mais popular”.

O merchandising da Hope na novela Roque Santeiro

O merchandising da Hope na novela Roque Santeiro

Foi em 1999, quando Sandra e as irmãs, Daniela Chammah e Karen Sarfaty, assumiram o negócio da família. A partir de então, a empresa passa a ter um âmbito mais feminino, que se reflete seja no produto ou na comunicação. Surge também um plano de reposicionamento da brand, até então voltada mais para o varejo em grandes magazines e hipermercados. “Vimos que gostaríamos de atuar em outro nicho do mercado, e decidimos criar as lojas monomarcas”. Enquanto isso, a fábrica saiu de São Paulo e foi para o Ceará, onde havia mais oferta de mão de obra.

Em 2006 foi inaugurada a primeira franquia Hope, no Shopping Center Norte, ano que também foi marcado pelo lançamento da calcinha Nude, sem costuras. “Fomos a primeira marca no Brasil a ter este tipo de produto durante uns 2 ou 3 anos, com este conceito de a lingerie não marcar embaixo da roupa”. Já a campanha, estrelada por Daniela Cicarelli, provocou a curiosidade do público ao usar a imagem da modelo com uma tarja preta no lugar da lingerie.

A famosa campanha da linha Nude, com Daniela Cicarelli

A famosa campanha da linha Nude, com Daniela Cicarelli

“Meu pai sempre via a Gisele nos desfiles da Victoria’s Secrets e dizia: uma dia ela ainda vai desfilar para mim”. Em 2009, a top tinha encerrado o contrato com a VS, e foi abordada pela Hope. Para assinar o contrato com a marca brasileira, GB exigiu conhecer os bastidores da empresa, onde eram confeccionadas as peças e quem era a família por trás. “Ela gostou de ser uma empresa familiar e ainda mais gerida por irmãs; ela se identificou”. Foram dois anos de Gisele como garota propaganda da marca e mais quatro anos de Gisele Bundchen Intimates. “Ela participava muito da criação, desde o conceito da coleção até onde ía ser vendida… Mas este ano, ela resolveu dar um tempo e se dedicar mais à vida pessoal”.  A GB Intimates está em fase de liquidação de estoques e por enquanto deixa de existir.

hope7

Para celebrar os 50 anos de estrada, a Hope está preparando uma exposição, apoiada pela Secretaria da Cultura e que deve estrear entre outubro/novembro. A mostra abordará os últimos 50 anos da lingerie no Brasil, com fotos e produtos antigos. 

hope8

Campanha da Hope de 2016 com Fernanda Tavares

“É muito legal ver essa evolução do mercado como um todo. Não só de produto e marketing, mas também de hábitos de consumo e cultura”, finaliza.

Fotos: acervo Hope

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *