Fundo árabe compra parte da São Paulo Fashion Week



27 de abril de 2018
por: Marcela Leone
Em meio aos desfiles, uma notícia agitou os bastidores da São Paulo Fashion Week: a de que a Luminosidade, braço do grupo Inbrands que comanda o evento, vendeu 50,5% das ações da semana de moda à IMM Esporte e Entretenimento, empresa que atua na organização e na venda de ingressos de diversos eventos, como o Rock in Rio, Cirque du Soleil, Rio Open e UFC, e que pertence a um fundo de investimentos de Abu Dhabi.
Desfile Cotton Project na São Paulo Fashion Week N45 - Divulgação / Agência Fotosite

Desfile Cotton Project na Ṣo Paulo Fashion Week N45 РDivulga̤̣o / Ag̻ncia Fotosite

 

O valor do negócio não foi divulgado, mas a operação prevê a cogestão do negócio. Segundo a IMM, o objetivo dessa nova aquisição é diversificar ainda mais o portfólio, passando a dispor também de uma poderosa marca do universo da moda.

“A chegada do SPFW torna nosso portfólio completo e robusto, com opções de produtos de esporte e entretenimento, que vão permitir que as marcas dos nossos parceiros criem experiências, relacionamento e proximidade com seus públicos. Não existe outro evento de moda no Brasil que possa ser comparado ao SPFW do ponto de vista de impacto e relevância para o mercado”, disse Alan Adler, presidente da IMM, em um comunicado.

A Inbrands, proprietária das marcas Ellus, Richards, VR, Salinas e Bobstore, tornou-se sócia em 2008 da Luminosidade, realizadora da São Paulo Fashion Week. Paulo Borges, fundador da semana de moda e dono de 25% da Luminosidade, permanecerá à frente do negócio, como diretor criativo e de operações.

“Vamos continuar trabalhando pelo futuro da moda. Com essa associação, o SPFW ganha mais estrutura e expertise para levar adiante os planos iniciais de um projeto de longo prazo,” afirma Paulo Borges.

Desfile A.Niemeyer na São Paulo Fashion Week N45 - Divulgação / Agência Fotosite

Desfile A.Niemeyer na Ṣo Paulo Fashion Week N45 РDivulga̤̣o / Ag̻ncia Fotosite

Agora, a IMM , que pertence ao fundo de investimentos Mubadala Development Company, de Abu Dhab, terá poder de veto sobre a semana de moda e poderá, por exemplo, aplicar sua experiência em venda de ingresso e cotas de patrocínio. A IMM  se chamava IMX até 2015, quando foi vendida pelo empresário Eike Batista. Além da expertise na organização de eventos de grande porte como o Rio Open (maior torneio de tênis da América do Sul), o UFC e o Rock in Rio (em sociedade com a Rock World S.A, detentora da marca), a IMM tem a plataforma TUDUS, que é responsável pela venda de ingressos online e off-line para os eventos da empresa e de terceiros.

Em duas décadas de existência, a SPFW se tornou a maior plataforma de moda da América Latina, com investimentos de cerca de R$11 milhões por edição. Desde o inicio, a semana de moda foi pensada como um projeto de 30 anos. Com esforço e investimento do setor privado e público, foi possível estabelecer um calendário de lançamentos que abriu novas perspectivas para a moda e o design brasileiros. Neste período, diversos formatos passaram a ser testados, como o recente “see now, buy now”, em que as peças desfiladas ficam disponíveis imediatamente para compras nas lojas.

Para além das mudanças de calendário, o evento enfrenta uma queda expressiva de patrocínio (em 2017, a Prefeitura de São Paulo cortou 37% da verba destinada à semana de moda) e da participação de grandes grifes, como Triton, Colcci, Ellus, Cavalera e Forum, que traziam famosos para a passarela, gerando mais interesse do grande público e da mídia. Como o investimento para participar do evento é alto, algumas grifes avaliaram que o retorno não compensava o custo.

Além disso, a Inbrands  vem acumulando prejuízos, com uma dívida líquida que atingiu R$ 593 milhões em setembro de 2017.

Fonte: Fashion Network | Fotos: reprodução 

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