Fim de ano confirma os bons negócios para a moda íntima



4 de janeiro de 2016
por: Marcela Leone

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A atual situação econômica enfrentada pelo País neste ano não intimidou o setor, que seguiu investindo

O mercado de lingerie do País, apesar da instabilidade econômica, tem encontrado oportunidades e encerra o ano com crescimento e boas projeções para 2016. No mês de dezembro, um dos fatores que impulsionam as vendas é a superstição das mulheres em usar uma peça nova na passagem do ano, escolhendo uma cor que represente seu desejo para o ano-novo: “As lingeries brancas e as amarelas estão sendo as mais procurada:, informa o sócio-proprietário da Nayane Rodrigues Lingerie, Rodrigo Lima. O branco é indicado para quem deseja paz, e o amarelo, para atrair dinheiro.

Segundo Lima, mesmo com todo cenário girando em torno de crise, a expectativa para as vendas de fim de ano são boas. E 2015 deve encerrar com um crescimento médio de 15%. “A marca vem numa crescente desde que foi lançada, há quase 15 anos, e esse ano não vai ser diferente”, declara. Além da venda em todo o País, uma das apostas deste ano foi o mercado internacional, que aumentou em 10% as exportações da empresa.

“Crescemos num ano que, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil, a queda do setor de vestuário foi de 7%. Isso significa muito para nós, que vamos seguir apostando no direcionamento marca versus cliente, exposição diferenciada e precificação adequada”, ressalta.

Investimento estratégico

Como estratégia para este ano, a marca investiu em marketing e contratos com personalidades para o lançamento das coleções. Lima informa que já fechou parcerias com as cantoras Kelly Key e Solange Almeida, do grupo0 Aviões do Forró, para o próximo ano. “As consumidoras gostam de ver as artistas vestindo as peças e isso reflete nas vendas”.

A empresa ainda investiu entre R$ 400 e R$ 500 mil na abertura de uma loja-conceito no Maraponga Mart Moda para consolidar a marca no atacado e tem foco nas revendedoras. “Com a crise, o desemprego volta e a venda porta-a-porta crescer”, diz Lima. Atualmente, a produção média é de 350 mil peças por mês, desenvolvidas com materiais e acabamentos exclusivos e com um mix variado de cores e tamanhos.

Liquidação e outlet

Outra empresa fundada no Ceará, a Liebe também está fechado o ano com crescimento de 10% em relação a 2014. Entre as ações de marketing que impulsionaram as vendas de 2015 está a contratação da atriz Priscila Fantin para o lançamento de uma das campanhas. Até o final de dezembro, as seis lojas em Fortaleza estavam em liquidação, o que aquece ainda mais as vendas do segmento.

O diretor-presidente, Cairo Benevides, fincou como meta para 2016 a manutenção do crescimento em 15% nas vendas. Para ele, este resultado será consequência de uma gestão baseada em indicadores e intenso trabalho no reconhecimento e fortalecimento nacional da marca, através de ações de comunicação e mídia. No último mês, a marca inaugurou seu primeiro outlet. “Com essa nova estratégia, pretendemos crescer aproximadamente em vendas em relação às lojas normais”, declara Benevides.

Cautela

O presidente do Sindicato das Indústrias de Confecção de Roupas Chapéus de Senhoras do Estado do Ceará (Sindconfecções), Marcus Venícius Rocha Silva, confirma que o segmento de lingerie foi o que menos sofreu, dentro do setor de confecções no último ano. “Mas em geral houve uma pequena queda entre 3% e 5%””. Marcus Venícius cita ainda que outros dois dois setores que sentiram menos a crise foram o de moda praia e fitness.

Segundo o presidente, muitas empresas vendem para magazines e como estas diminuíram as importações, as vendas cresceram neste nicho. Além do fato do Ceará ser o segundo maior polo delineie do País.  “Nosso produto tem muito valor agregado e se diferencia tendo um mercado próprio”, diz.

Já para 2016 ele afirma que existe uma grande interrogação, porque a crise política é grave e contamina a economia. E a queda no Produto Interno Bruto (PIB) deixa claro que o País encolheu e o mercado diminuiu. “Quem não fizer o dever de casa, para operações que não são boas e qualificar o trabalho vai ficar para trás e vai ser engolido pelo mercado”, analisa.

Marcus Venícius prevê um primeiro semestre difícil e espera que a partir do segundo o Brasil volte a crescer.

Fonte: Diário do Nordeste | Foto: reprodução 

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