Felinju: veja como foi a 19ª edição da feira de lingerie em Juruaia, MG



25 de abril de 2016
por: Marcela Leone

A 19ª edição da Feira de Lingerie de Juruaia (Felinju) chegou ao fim neste sábado (23). Durante os três dias do evento, comerciantes e pessoas de todo o Brasil visitaram e compraram em Juruaia (MG), conhecida por capital da lingerie da região. Além de aquecer a economia do município, a feira revela tendências e inovações do mercado e reúne histórias de empreendedorismo, superação e criatividade.

 

Modelos apresentam novidades em moda íntima na Felinju, em Juruaia (Foto: Filipe Martins)

Modelos apresentam novidades em moda íntima na Felinju, em Juruaia (Foto: Filipe Martins)

Criada em 1998, este ano a Felinju ganhou um novo local para a realização do evento. Com uma área superior a 7 mil metros quadrados, o Centro de Eventos Expo Juruaia abrigou cerca de 70 estandes. Muito trabalho foi feito para montar a estrutura do evento, que tinha uma expectativa de público de 30 mil pessoas. Filas foram formadas logo no primeiro dia da feira.

Desfiles
Durante os desfiles, as confecções apresentaram ao público um pouco das novas tendências do mercado. Entre elas, o uso das cores fortes nas peças, que também deixaram de ser apenas lingeries e passaram a ser usadas como parte da roupa – alças decoradas e rendas são alguns exemplos.

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A modelo plus-size Babi Monteiro, com seus 81 quilos “bem distribuídos” em Juruaia (Foto: Filipe Martins)

Ainda nos desfiles, muita beleza e simpatia puderam ser vistas, como por exemplo, a modelo plus size Babi Monteiro, que aos 41 anos, 1,68 metro e 81 quilos, “bem distribuídos”, como ela diz, fazia questão de estar ali para quebrar paradigmas e fazer com que as portas se abram “não só para as gordinhas, mas pra mulher brasileira em geral, a negra, branca, magra, alta, baixa, de todos os biotipos”.

Curiosidades
E o que falar de um sutiã “celebridade”? Com mais de 15 metros de largura e quase cinco de altura, homologado pelo RankBrasil como a maior peça já produzida, durante todo o evento o gigante fez sucesso e foi alvo de fotos e selfies. Emílio Ferreira, de Franca (SP), era um dos visitantes tirando fotos com a peça. E a fama precedeu o sutiã. Apesar de admirado, disse que quando ouviu falar dele “achou que fosse ainda maior”.

Nas vendas, os lojistas usaram da criatividade para divulgar suas marcas. Teve até taróloga tirando cartas com as clientes para saber qual seria a lingerie ideal para certas ocasiões da mulher. Para apresentar a nova coleção, uma das confecções resolveu brincar e uniu o tarot com peças íntimas, e o resultado da brincadeira já virou até exportação para a Bolívia, segundo a gerente de marketing Letícia de Lélis.

Atriz interpretou taróloga para ajudar mulheres a escolher lingerie da marca (Foto: Filipe Martins)

Atriz interpretou taróloga para ajudar mulheres a escolher lingerie da marca (Foto: Filipe Martins)

Vendas
O mercado internacional, aliás, é uma das oportunidades que o setor oferece. As vendas internacionais já chegam a 15% da produção em algumas empresas que montaram estandes no evento. Há fábricas, inclusive, que já mandam peças íntimas para o exterior há quase 10 anos. Estados Unidos, Japão, Portugal e até Arábia Saudita são alguns dos países que já receberam as peças mineiras. Para a empresária Maria José Terra, o sucesso internacional vem se tiver “amor” no que se faz.

Outra oportunidade que setor traz são as vendas para complementar a renda familiar. Assim como a vendedora “porta a porta” Zerli da Silva Ferreira, que saiu de Hortolândia (SP) e viajou cerca de 250 quilômetros até a Felinju para comprar lingeries e revender, outros “sacoleiros” aproveitam a feira para fazer o mesmo. Hoje eles movimentam “cerca de 50% das vendas do município”, segundo a presidente da Associação Comercial e Industrial de Juruaia (Aciju), Tânia Mara Rezende.

Superação
A cidade é referência em empreendedorismo, e ao circular pela Felinju, é possível encontrar histórias interessantes dos moradores da cidade que mudaram de vida com a confecção de lingerie. A estilista e empresária Letícia Marques, hoje com 30 anos, começou a trabalhar com lingeries aos 12, mas aos 14 anos começou a criar os próprios desenhos, e hoje desenvolve todas as peças de sua própria empresa.

Letícia cria os próprios desenhos desde os 14 anos, em Juruaia, MG (Foto: Filipe Martins)

Letícia cria os próprios desenhos desde os 14 anos, em Juruaia, MG (Foto: Filipe Martins)

As irmãs Landa, Cleuza e Nilva Machado representam a história de muitos moradores de Juruaia. Elas saíram da roça atrás de emprego na cidade, e depois de algum tempo, com equipamentos emprestados, montaram a própria confecção. Nesta edição da Felinju, elas comemoraram 20 anos de sucesso trabalhando com peças íntimas.

Com o fim da feira, já fica a expectativa para 2017. No ano que vem, a Felinju irá comemorar 20 anos com novas histórias, coleções e tendências.

Visitantes conferiram tendências e lançamentos na 19ª edição da Felinju, em Juruaia (Foto: Filipe Martins)

Visitantes conferiram tendências e lançamentos na 19ª edição da Felinju, em Juruaia (Foto: Filipe Martins)

A Felinju
A cidade de Juruaia (MG) é considerada o 3º polo de lingerie do Brasil, responsável por 15% da produção nacional. A Feira de Lingerie de Juruaia (Felinju) é o maior evento do setor na cidade e é realizado anualmente. A 19ª edição da feira ocorreu entre 21, 22 e 23 de abril no Centro de Eventos Expo Juruaia.  A expectativa, segundo a Associação Comercial e Industrial de Juruaia (Aciju), é de que o evento tenha movimentado R$ 12 milhões e que ao menos 30 mil visitantes tenham passado pela feira.

Criada em 1998, a Felinju acontece em uma área de 7 mil metros quadrados. Nesta edição participaram 70 estandes, e a expectativa da Aciju era de um aumento de 20% no volume de vendas em relação ao ano passado.

Com cerca de 10 mil habitantes, Juruaia possui cerca de 200 confecções de lingerie, que juntas, vendem 1,6 milhão de peças por mês, especialmente para atacadistas. O crescimento médio anual é de 20% e o faturamento mensal de R$ 20 milhões. Segundo a Aciju, são gerados cerca de 5 mil empregos no setor, que absorvem 45% da população e conta também com mão de obra das cidades vizinhas. Além disso, 92% das confecções são comandadas por mulheres.

Fonte: G1 | Fotos: reprodução 

 

 

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