Crises efêmeras, empresas perenes!



27 de janeiro de 2016
por: Marcela Leone

Agência Brasil - ABr - Empresa Brasil de Comunicação - EBC

*Por Fernando Valente Pimentel 

Tornou-se redundante comentar a crise pol√≠tico-econ√īmica brasileira, embora analisar suas consequ√™ncias e danos que vem causando seja um saud√°vel desabafo para quem enfrenta seus efeitos nocivos. Dentre os mais prejudicados por essa nebulosa conjuntura nacional incluem-se os 420 mil pequenos empreendedores que fecharam as portas de janeiro outubro desde ano, quase tr√™s vezes mais em rela√ß√£o a todo o ano de 2014. A situa√ß√£o de nosso pa√≠s, infelizmente, √© mesmo grave. No entanto, √© preciso pensar na longevidade das empresas e no amanh√£, quando a tempestade dissipar-se no horizonte.

O Brasil e o mundo j√° enfrentaram adversidades, em maior ou menor escala, como o grande crash de 1929, a recente crise internacional de 2008 e aqueles horr√≠veis ciclos de megainfla√ß√£o em nosso pa√≠s. Todas essas situa√ß√Ķes foram superadas, apesar de cada uma delas deixar sequelas marcantes. Agora, quando vivemos uma das mais graves situa√ß√Ķes de nossa hist√≥ria, n√£o ser√° diferente: a turbul√™ncia passar√°. A velocidade com que isso acontecer√° depender√° muito das defini√ß√Ķes relativas ao quadro politico, mas a retomada do crescimento vir√°!

No enfrentamento da crise, h√° vari√°veis sobre as quais a sociedade n√£o tem controle, como as pol√≠ticas p√ļblicas e as decis√Ķes adotadas pelo Governo Federal e o Congresso Nacional. Podemos e devemos, sim, reivindicar medidas, sugerir alternativas, criticar os equ√≠vocos e manter permanente di√°logo com as autoridades na busca de solu√ß√Ķes. Nesse sentido, tem sido relevante a mobiliza√ß√£o das entidades de classe representativas dos setores produtivos. Por√©m, n√£o temos o poder final sobre as decis√Ķes, e muitas delas, para infelicidade geral desta Na√ß√£o, t√™m sido contr√°rias ao bom senso e ao consenso da sociedade, dos empres√°rios e dos trabalhadores.

Assim, al√©m de insistir na leg√≠tima mobiliza√ß√£o pol√≠tica, no exerc√≠cio c√≠vico das proposi√ß√Ķes e de utilizar com sabedoria o poder transformador do voto a cada elei√ß√£o, √© preciso, neste momento de aguda dificuldade, trabalhar com as vari√°veis sobre as quais temos maior controle e poder de decis√£o. Refiro-me √† gest√£o das empresas, nas quais, felizmente, n√£o trabalham os protagonistas das presentes desventuras brasileiras. Assim, por mais que seus equ√≠vocos possam prejudicar e impactar as companhias, eles n√£o interferem diretamente nas nossas decis√Ķes .

Aí, o jogo é dos trabalhadores-empregadores brasileiros (sim, os empresários também são trabalhadores). E são poucos os que têm a sua capacidade de superação, criatividade, resiliência às dificuldades e coragem para enfrentar crises e empreender, conforme já se demonstrou em numerosas oportunidades, no contexto da historicamente instável economia de nosso país. Tanto assim que, apesar dos governos, construímos um dos maiores PIBs do Planeta. Alguns empresários têm até encontrado a alternativa de investir fora do Brasil, mas é hora de cuidarmos muito bem das empresas, buscando reduzir custos, ampliar a eficiência, obter ganhos de produtividade e investir em tecnologia e inovação.

Aporte de capital num cen√°rio de incertezas e baixo n√≠vel de atividade econ√īmica, com cr√©dito escasso e juros elevados, pode parecer insensato. Contudo, cada um saber√° a medida certa e o momento adequado para fazer isso. O importante √© pensar e agir com efic√°cia no aprimoramento das empresas, pois a crise certamente passar√°, mas os neg√≥cios persistir√£o. Quem estiver bem preparado para a retomada do crescimento sair√° na frente quando o Brasil recuperar-se dos problemas atuais. A crise √© um grande mal, mas √© ef√™mera e passar√°. Os neg√≥cios, contudo, precisam ser perenes!

Nesse sentido, as entidades de classe, assim como fazem na mobiliza√ß√£o pol√≠tica em defesa de cada segmento e da economia nacional, desempenham papel importante. S√£o polos de conhecimento, disseminadores de informa√ß√£o, deposit√°rios e catalisadores de experi√™ncias e boas pr√°ticas e promotores de eventos importantes para dinamizar o mercado, apresentar inova√ß√Ķes e criar oportunidades de neg√≥cios. No √Ęmbito de cada setor de atividade, √© decisivo o foco nas empresas e no mercado como um todo. Vamos sobreviver e vencer!

*Fernando Valente Pimentel √© o diretor-superintendente da Associa√ß√£o Brasileira da Ind√ļstria T√™xtil e de Confec√ß√£o (Abit).

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