Como saber se você é a pessoa mais indicada para lidar com inovação na sua empresa



4 de abril de 2018
por: Marcela Leone

 

carlos_zago

*por Carlos Zago

Inova√ß√£o parece ser a palavra do momento, todos est√£o atr√°s dela, mas poucos sabem como, de fato, faz√™-la. Mas quando uma oportunidade de inovar se apresentar na sua frente, ser√° que voc√™ √© a melhor pessoa na sua empresa para julgar se uma inova√ß√£o √© √ļtil e se deve ou n√£o ser implementada? Tudo se trata de uma compara√ß√£o entre a cultura da sua empresa e em qual lugar da ‚Äúcurva de difus√£o‚ÄĚ voc√™ est√°.

A curva de difusão da inovação nos explica como a sociedade se comporta com a implementação de novos conceitos ou tecnologias. Ela divide os usuários de uma inovação numa linha temporal relacionada a quão rápido as pessoas adotam um novo conceito ou adquirem uma nova mercadoria, por exemplo. Se você já está familiarizado com a curva, talvez queira pular os próximos 6 parágrafos.

Os primeiros a adquirir/adotar uma inova√ß√£o s√£o denominados inovadores: eles representam cerca de 2,5% do mercado total de um produto. Sua decis√£o √© baseada simplesmente no conhecimento que h√° algo novo, sem necessariamente ter todas as informa√ß√Ķes sobre a inova√ß√£o, chegando a ser algo pr√≥ximo do emocional.

Passado algum tempo, mais pessoas se interessam pela inova√ß√£o. S√£o os primeiros adeptos: eles constantemente buscam informa√ß√Ķes sobre novas tecnologias ou tend√™ncias, representando 13,5% do mercado dessa inova√ß√£o. Sua decis√£o baseia-se na informa√ß√£o.

O próximo grupo representa uma fatia mais significativa do mercado, correspondendo a 34% dele, e é denominado maioria inicial: Aqui já se pode verificar o sucesso de uma inovação, pois os participantes desse grupo apenas aceitam uma inovação que foi testada pelos grupos anteriores e comprovadamente traz resultados satisfatórios. Sua decisão baseia-se no empirismo.

O pen√ļltimo grupo √© chamado de maioria tardia: representando outros 34% do mercado, esse grupo pode ser definido como c√©tico. S√£o aqueles que adotam uma inova√ß√£o apenas depois que mais da metade das pessoas j√° o fez. Sua decis√£o baseia-se na necessidade.

Finalmente o √ļltimo grupo, por√©m n√£o menos importante, √© o dos atrasados: Esse grupo s√≥ adquire uma inova√ß√£o quando n√£o h√° mais possibilidades de se ter a vers√£o anterior ou quando ela se torna essencial para a vida em sociedade, sendo composto por 16%. A incapacidade √© o que leva esse grupo √†s compras.

O exemplo mais utilizado para apresentar a curva √© o lan√ßamento de um novo iPhone. Os Inovadores s√£o aqueles que fazem filas nas lojas da Apple e compram o novo aparelho sem ao menos ler as especifica√ß√Ķes. J√° os primeiros adeptos entram no site, veem o que o modelo tem de diferente dos concorrentes e decidem compr√°-lo. A maioria inicial foi √†s lojas apenas depois que os reviews comprovaram que o novo smartphone da Apple realmente √© revolucion√°rio. Quando praticamente metade das pessoas tem um novo iPhone e est√£o mandando novos tipos de mensagens, a maioria tardia se sente compelida a ter um tamb√©m. Por fim, os atrasados s√£o aqueles que s√≥ compram smartphones porque n√£o conseguem mais achar telefones de flip.

A teoria de difus√£o coloca que quanto mais √† esquerda se est√° na curva, maior tende a ser o poder aquisitivo e a capacidade de lideran√ßa do indiv√≠duo. Ent√£o, pode-se dizer que os inovadores e primeiros adeptos, por terem mais o perfil de l√≠deres e influenciadores, devem tomar as decis√Ķes relacionadas √† inova√ß√£o na minha empresa? A resposta √© um sonoro e retumbante N√ÉO.¬†

Tudo depende da cultura organizacional da sua empresa e de como ela se posiciona ou pretende se posicionar perante o mercado. Se pegarmos exemplos de empresas de tecnologia, fica claro que as mais inovadoras devem ter um pool de inovadores e primeiros adeptos como decisores. O real desafio é não pensar em gigantes como a Apple, Microsoft ou Samsung, mas sim em empresas do cotidiano, que empregam a maioria das pessoas, que provavelmente irão parar para ler esse artigo. 

Vamos pegar o exemplo de seguradoras, que s√£o empresas que oferecem um servi√ßo bem estabelecido e com grande concorr√™ncia. Se uma seguradora preza pela qualidade dos servi√ßos prestados, pela confian√ßa e pela tradi√ß√£o, qualquer inova√ß√£o a ser adotada tem que ser totalmente confi√°vel, com cases de sucesso e ROI comprovado. Logo, os melhores para o trabalho est√£o na maioria inicial e tardia. J√° uma seguradora que quer se destacar pelos planos flex√≠veis, acesso r√°pido, um site e aplicativos modernos, precisa contar com inovadores e primeiros adeptos, para que tais projetos saiam do papel, mesmo sem todas as informa√ß√Ķes de mercado de antem√£o.

Em suma, saber se posicionar na curva de difusão de inovação é um primeiro passo para ser honesto com você mesmo, se conhecer melhor e analisar em qual função seu perfil de inovação se encaixa. Portando, basta saber qual é a filosofia da empresa em relação à inovação, que você  irá automaticamente saber se o seu perfil é o de um bom decisor na hora de inovar. Claro que não espero que ninguém peça as contas ou mude de empresa, mas montar um time heterogêneo e escutar os perfis mais ligados ao estilo de inovar da empresa pode ser a chave para não deixar passar boas oportunidades de se atingir a disrupção.

*¬†Sobre Carlos Zago: M√©dico e especialista em inova√ß√£o, Carlos Zago √© formado em Medicina pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de S√£o Paulo (UNIFESP), com MBA em Gest√£o Estrat√©gica de Neg√≥cios pela Faculdade de Inform√°tica e Administra√ß√£o Paulista (FIAP). Desde cedo dedicou-se a estudar modelos de neg√≥cios disruptivos na sa√ļde e em outras √°reas, tendo trabalhado com acelera√ß√£o, mentoria e cria√ß√£o de startups. Atualmente √© Presidente da Innovster, na qual atua gerando inova√ß√£o para grandes players do mercado atrav√©s de experi√™ncias, eventos, workshops e desenvolvimento de laborat√≥rios de inova√ß√£o.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *