A moda na era da inovação



20 de julho de 2017
por: Marcela Leone

christina-rangesl

Por Christina Rangel (*)

A ind√ļstria da moda caminhou¬†durante um longo per√≠odo sem implantar novas ideias em seus sistemas.¬†¬†Para criar as novas cole√ß√Ķes, as apostas¬†se baseavam¬†em an√°lise da venda de cole√ß√Ķes anteriores, com algumas pitadas de intui√ß√£o sobre o que seriam os best-sellers¬†para a pr√≥xima temporada. Em alguns casos, esperava-se a an√°lise dos pedidos emitidos p√≥s-lan√ßamento para iniciar a etapa de produ√ß√£o. Nos casos de venda por meio de pronta-entrega, a produ√ß√£o era iniciada com maior anteced√™ncia para poder preencher as prateleiras.¬† At√© bem pouco tempo, esta era a f√≥rmula que melhor garantia os resultados. Havia muitas falhas, j√° que essa organiza√ß√£o poderia gerar sobras de mat√©ria-prima, produtos encalhados nos estoques e insatisfa√ß√£o do consumidor.

No entanto, recentemente, o velho sistema come√ßou a entrar em colapso¬†em raz√£o¬†de mudan√ßas revolucion√°rias e irrevers√≠veis. Tais transforma√ß√Ķes t√™m provocado uma revis√£o nos antigos processos de planejamento e desenvolvimento de cole√ß√Ķes e favorecido uma verdadeira renova√ß√£o no setor. S√£o elas:

1 РRenovação rápida de produtos imposta pelo fast-fashion, que desenvolveu o seu modelo de negócio com eficiência, com inserção de produtos novos a cada 6-8 semanas, garantindo o retorno do cliente às lojas com uma quase precisão de um relógio. Há vinte anos, nos primórdios da Internet, isto não era um problema tão grave.

2 – Atualmente, vivemos no imp√©rio da instantaneidade. A impaci√™ncia tornou-se um modo de vida, um h√°bito,¬†e ningu√©m consegue prender a sua aten√ß√£o por seis meses. E √© ineg√°vel que a ind√ļstria da moda foi completamente transformada pelas redes sociais e¬†pelo surgimento de novas plataformas B2B e B2C. Os consumidores de agora s√£o camale√īnicos e est√£o treinados para acreditar que podem¬†ter¬†o que querem e imediatamente.

  • Novos meios de comunica√ß√£o: redes sociais, transmiss√Ķes ao vivo e equipes de marketing inteiras dedicadas a multiplicar os canais de contato com o consumidor.
  • Propriedade intelectual dos¬†designers¬†e a vulnerabilidade ao¬†fast fashion¬†‚Ästem um mundo conectado, as cole√ß√Ķes lan√ßadas com muita anteced√™ncia est√£o totalmente suscet√≠veis √† c√≥pia.
  • Crescimento do¬†e-commerce¬†e do¬†m-commerce¬†(compras¬†por meio de¬†celuluar) permitindo que os consumidores comprem com um simples clique e recebam seus produtos em prazos cada vez mais curtos. Nas lojas on-line¬†os¬†custos de opera√ß√£o s√£o mais baixos em termos de armazenamento, log√≠stica, aluguel.

Neste novo contexto, vale destacar que as ind√ļstrias de confec√ß√£o, independentemente de seus modelos de neg√≥cio ou porte, passaram a enfrentar¬† novos desafios. Por isso, t√™m buscado implantar, ainda na fase de planejamento e desenvolvimento de produto/cole√ß√Ķes,¬†estrat√©gias que permitam incrementar ou ajustar a entrega de valor para o consumidor.

Embora n√£o exista um s√≥ caminho, j√° que devemos considerar caso a caso para construir solu√ß√Ķes customizadas, ressaltam-se algumas pr√°ticas que t√™m norteado a adequa√ß√£o dos processos na importante etapa anterior √† produ√ß√£o:

1 – A informa√ß√£o, atualmente, √© o maior patrim√īnio de um neg√≥cio, depois de seus clientes, √© claro. Sem informa√ß√£o eficiente n√£o h√° como entender o que os consumidores ‚Äúcamale√Ķes‚ÄĚ est√£o querendo. O melhor caminho ent√£o √© adotar um sistema de gest√£o de informa√ß√£o abrangente e eficiente permitindo acesso a uma base consolidada de dados de vendas, de mercado e de tend√™ncias;

2 РAdoção de um modelo de criação de produtos mais flexível, ágil, criativo e, principalmente, de forma integrada e mais próxima do consumidor, de forma a responder às novas necessidades com maior valor e mais rápido do que antes.

3 РAplicação do conceito lean, o que significa implantar uma abordagem mais eficiente, enxugando o desperdício e os custos invisíveis de projeto ao longo de todas as etapas de planejamento e desenvolvimento da coleção.

4 РEstabelecer meios de aproximação e integração com o consumidor por meio da melhoria e diversificação dos canais de comunicação, físicos e virtuais, e desta forma criar produtos, serviços  e experiências de consumo mais eficientes e assertivas.

Em tempos de tantas mudanças, entender e implantar novas abordagens e novos métodos não só ajudam a diminuir incertezas como também é uma forma de renovaros negócios de moda  a fim de atender às novas e futuras demandas de consumo.

(*) Christina Rangel é consultora de moda do Senai Cetiqt, no Rio de Janeiro, centro formador de mão de obra para a cadeia têxtil e de confecção do país (www.senaicetiqt.com).

 

Comments are closed.